terça-feira, 4 de janeiro de 2011

TERAPÊUTICA UNIVERSAL MARTINISTA


A MEDICINA MARTINISTA:

CAUSAS DAS DOENÇAS DE ACORDO COM PARACELSO:
1. PRINCÍPIO ASTRAL (ENS ASTRALE) -Baseia-se em realidades cósmicas, as causas são do tipo astral, ou causadas no corpo astral pessoal ou pelo mundo astral. Influências climáticas e infecções podem ser também incorporadas

2. PRINCÍPIO VENENOSO (ENS VENENI) - Surge dos venenos e envenenamentos do corpo humano, portanto uma desarmonia de impurezas, má alimentação, má respiração, todas as coisas contrárias à constituição da pessoa.

3. PRINCÍPIO NATURAL (ENS NATURALE) - As causas são predeterminadas, fixas. São doenças herdadas genéticamentes, que já vem com o nascimento.

4. PRINCÍPIO ESPIRITUAL (ENS-SPIRITUALE) - Compreende todas as doenças causadas por uma imaginação doentia e uma vontade mal dirigida são as doenças psíquicas ou da idéia.

5. PRINCÍPIO DIVINO (ENS-DEI) – Doenças Karmicas.


A MEDICINA UNIVERSAL
Por Eliphas Levi

A maioria das nossas doenças físicas vem das nossas doenças morais, conforme o dogma mágico único e universal, e em razão da lei das analogias.
Uma grande paixão à qual a pessoa se abandona corresponde sempre a uma grande doença que prepara a si mesma. Os pecados mortais são assim chamados porque fazem física e positivamente morrer.

Alexandre, o Grande, morreu de orgulho. Ele era naturalmente temperante e entregou-se por orgulho aos excessos que lhe deram a morte.
Francisco I morreu de um adultério. Luís XV morreu por causa do seu viveiro de veados.

Quando Marat foi assassinado, morria de cólera e inveja. Era um monômano de orgulho, que se julgava único, justo, e desejava matar tudo o que não fosse Marat.
Vários contemporâneos nossos morreram de ambição fracassada depois da revolução de fevereiro.

Desde que a vossa vontade esteja irrevogavelmente confirmada numa tendência absurda, estais mortos, e o escolho em que ficareis em pedaços não está longe.

É, pois, verdade dizer que a sabedoria conserva e prolonga a vida.
O grande Mestre disse: “A minha carne é um alimento e o meu sangue uma bebida. Comei minha carne e bebei meu sangue; tereis vida”. E como o vulgo murmurava, acrescentou: “A carne aqui nada significa; as palavras que vos digo são espírito e vida”. Queria, pois, dizer: “Saciai-vos do meu espírito e vivei da minha vida”.
E, quando ia morrer, uniu a lembrança da sua vida ao signo do pão e a de seu espírito ao signo do vinho, e instituiu, assim, a comunhão da fé, da esperança e da caridade.

É no mesmo sentido que os mestres hermetistas disseram: Fazei potável o ouro e tereis a medicina universal; isto é, apropriai a verdade aos vossos costumes, que ela se torne a fonte em que vos saciareis todos os dias, e tereis em vós mesmos a imortalidade dos sábios. A temperança, a tranqüilidade da alma, a simplicidade de caráter, a calma e a razão da vontade não só fazem o homem feliz, mas também sábio e forte. É fazendo-se razoável e bom que o homem se torna imortal. Somos autores do nosso destino, e Deus não nos salva sem nossa colaboração.
A morte não existe para o sábio: a morte é um fantasma tornado horrível pela ignorância e a fraqueza do vulgo.

A mudança atesta o movimento, e o movimento só revela a vida. Até o cadáver não se decomporia se fosse morto: todas as moléculas que o compunham ficam vivas e se movem para se desprender.

E pensareis que o espírito foi o primeiro a desprender-se para não mais viver! Creríeis que o pensamento e o amor podem morrer, quando até a matéria mais grosseira não morre!

Se a mudança deve ser chamada morte, morremos e renascemos todos os dias, porque todos os dias as nossas formas mudam.
Temamos, pois, manchar e rasgar os vossos vestuários, mas não temamos deixá-los quando vem a hora do repouso.
(...)

É a ciência e confiança do médico que fazem a virtude dos remédios, e não existe outra medicina eficaz e real a não ser a taumaturgia.

Por isso, a terapêutica oculta é isenta de qualquer medicamentação vulgar. Emprega principalmente as palavras, as insuflaçãos, e comunica pela vontade uma virtude variada às substâncias mais simples: a água, o óleo, o vinho, a cânfora e o sal. A água dos homeopatas é verdadeiramente uma água magnetizada e encantada que opera pela fé. As substâncias que a ela se acrescentam em quantidades, por assim dizer, infinitesimais, são consagrações e como que sinais da vontade do médico.

(...)

Todo o poder do médico ocultista está na consciência da sua vontade, e toda sua arte consiste em produzir a fé no seu doente. Se podeis crer, dizia o Mestre, tudo é possível àquele que crê. É preciso dominar o seu paciente pela fisionomia, pelo tom, pelo gesto; inspirar-lhe a confiança por alguns modos paternais, fazê-los rir por algum bom e alegre discurso. Rabelais, que era mais mago do que parecia, tinha tomado por panacéia especial o pantagruelismo. Fazia seus doentes rirem-se, e todos os remédios que depois tomavam tinham mais sucesso; estabelecia, entre si e eles, uma simpatia magnética por meio da qual lhes comunicava a sua confiança e o seu bom humor; lisonjeava-os nos seus prefácios e lhes dedicava suas obras. Por isso, estamos convencidos que Gargantua e Pantagruel curaram mais humores negros, mais disposições à loucura, mais manias atrabiliárias, nesta época de ódios religiosos e guerras civis, do que a Faculdade de Medicina inteira teria podido constatar e estudar então.

A medicina oculta é essencialmente simpática. É preciso que uma afeição recíproca ou ao menos uma boa vontade real se estabeleça entre o médico e o doente.

O que principalmente curava entre os primeiros cristãos era a fé e a caridade. A maior parte das doenças têm a sua fonte em desordens morais: é preciso começar por curar a alma, e o corpo será, depois, facilmente curado.** Trechos retirados do Livro “Dogma e Ritual da Alta Magia”, Caps XX das duas partes do livro.


A MEDICINA OCULTA
Por Paul Sedir (1871 – 1926)

A medicina oculta

Em minha opinião o mais sábio dos homens, o mais enérgico, nada pode sem a ajuda de Deus, e nada faz sem Sua permissão. O sucesso de uma cura não depende nem do diploma, nem de uma superstição, mas do devotamento, da compaixão verdadeira, do fervor íntimo. Além de toda ciência, além de todo segredo, o recurso humilde e sincero à virtude suprema, à caridade infinita, é o elixir miraculoso. Mas isto não se comunica: é preciso que cada um encontre por si mesmo.

Extraído da introdução, outubro 1909

Medicina Divina
Chegamos ao último método de cura, o mais antigo, o mais alto, o mais seguro, mas também o mais oculto, o mais raro e o mais difícil: a teurgia. Aqui entramos em um país novo. Esqueça tudo que você acabou de ler. Veja as manifestações infinitas da existência sob seu aspecto hegemônico; sobre a terra, no corpo dos animais, nas pedras, nos céus, nas rodas das gerações, nos rios fluídicos, nas serpentes planetárias, nos orbes etéreos, nos reinos objetivos, nas Artes e Ciências, entre os deuses, os gênios, as crianças de Luz, as hordas das Trevas, - em toda parte, eis a vida. Em tudo, esta vida é una, real. Em toda parte, cada um de seus modos constitui um élan completo, existem por si mesmo, livres e responsáveis; recebendo alguma coisa de todas as outras formas, e resplandecendo também sobre todo o resto do mundo.

Desde então, nenhum sintoma patológico pode somente ser enfrentado em si mesmo. Deve ser percebido com todos os movimentos exteriores e anteriores que o determinam, com todas as ramificações ulteriores dos quais derivam. Um tal conhecimento não é outra coisa que o sentimento da verdade. Ela solicita ao médico, uma liberdade interior total, independente de todos os sistemas, de todas as opiniões, de todas as particularidades pessoais. Eis um dos aspectos da evangélica pobreza de espírito.

O Evangelho ignora as potencias intermediárias. Jesus traçou rotas diretas entre o homem e Deus. Visto que o rei de quem vamos conciliar os favores, cujo trono se encontra fora do tempo e do espaço, não mais precisa dos ritos, do lugar, das horas, dos objetos, de correspondências, em uma palavra. Este rei, estando fora do mundo, se encontra presente em toda parte e em todo tempo. A única observância necessária, é a obediência, ou a conformidade prática de nossa vida com a Sua. Portanto, as cerimônias religiosas e mágicas, os ritos, os lugares sagrados, os objetos bentos tornam-se inúteis nestes casos, inúteis também os medicamentos, os regimes, os gestos, e os esforços da vontade.

Lacunas médicas.

A terapêutica material somente atua sobre o sintoma orgânico. O medicamento alquímico, somente atua sobre a eletricidade celular. As terapias dinâmicas somente influenciam sobre o énormon fluídico (1). A vontade, o argumento, o magnetismo, o statuvolence (2) somente abrem a porta dos corpos invisíveis correspondentes. Influenciam os demais corpos, unicamente, pela propagação, sua atividade somente é durável até que uma força semelhante e contrária as parem. Portanto, nenhum método, material, oculto, religioso ou psicológico, cura essencialmente.

Resumindo.

Distinguimos, em suma:
Das alterações do corpo material, sobre qual atuam os medicamentos materiais e a cirurgia. Das alterações da força vital, sobre qual o medicamento pode agir por reflexões, mas que são sobretudo tratáveis pelos dinamismos naturais, humanos e extra-humanos.

Enfim, das ligações do espírito, pelos clichês fatídicos: neste caso, somente atua realmente a intervenção teurgica; a vontade de um adepto pode mesmo atrapalhar. Neste caso, a descida da Graça Divina é a única útil; é supérfluo acrescentar que Ela pode também fazer desaparecer as duas precedentes classes de sintomas.

O Pecado.

Ora, esta terceira causa das doenças é a única e verdadeira. Nada chega ao corpo, nem uma enxaqueca, nem um acidente, se um clichê invisível já não tiver descido sobre o ens espiritual do sujeito. E este clichê, este agente da compatibilidade biológica não vem a nós; somos nós mesmos, por nosso modus vivendi anterior que caminhamos ao seu encontro sobre a trajetória traçada por ordem divina.

Todo ato engendra uma forma no invisível; isto é constatado pelos videntes autênticos. Esta forma é percebível como uma aura no plano dos fluídos, como um ser no plano cardíaco do mundo. Ora, como todo ato somente pode ser bom ou mal, ele conduzirá sobre seu progenitor o bem ou o mal semeado na primeira parte de seu ciclo: em destino, inteligência e saúde. Este rico que recebeu um pobre a pauladas, pagará não somente em seu coração colérico, em sua inteligência irracional, mas também em seu braço agressor (3). Se, em uma próxima encarnação, este homem renascer com uma mão inerte, o alquimista, o magista, o magnetizador poderá, talvez, levantar o signo físico do mal, espiritual. Na realidade, nada mais fará que construir um muro entre esses dois organismos: seja provocando novamente desordens interiores, seja tirando o mal do braço onde está em seu justo lugar para colocá-lo em um outro lugar, onde será a causa de sofrimentos mais violentos.

Somente aquele que pode ver o clichê desta paralisia, é capaz de modificar a marcha ou a natureza, e tornar este doente invulnerável a seu ataque, arrebatando de seu espírito a causa primitiva do mal, o pecado, perdoando-lhe, lavando com um pouco d´água eterna falada por Jesus.

Eis, em resumo, o diagnóstico e a medicação do teurgo, aquele que opera com Deus.

Conclusão.

Mas tais homens são extremamente raros. Encontramos no máximo um por século. O que podem fazer então os médicos conscientes, filantropos, que desejam, malgrado toda a incerteza da ciência, curar os miseráveis que clamam por ajuda ? Eles ainda podem e muito! Qualquer que seja o sistema que usem, podem, unicamente, pois sentem sua franqueza, invocar ou evocar a força toda poderosa do espírito. Este invisível auxiliar é o veículo de todas as boas vontades, vos afirmo. Saibam que elas estão ao teu serviço; que teu élan de compaixão é o encanto infalível no qual obedecem: Ele pode dar a qualquer medicamento e palavra, uma virtude extraordinária. Esqueça-se um pouco somente, você, a fonte de tua fortuna e a inquietude de tua reputação. O mais sábio nada sabe, o mais poderosos nada pode sem Ele: chame-o; e todas às vezes a que apelares será justo, e será atendido.

O doente paga uma dívida; se evitares seu sofrimento corporal, ele pagará por sua riqueza, por seus acertos, por suas afeições, por sua celebridade. Portanto, há casos onde mesmo um enviado do Céu deixa as coisas seguirem seu curso, malgrado a licença que possuem de sacar do tesouro divino. Quando uma prova chega, seu destinatário recebe também ajuda para suportá-la. Não queira curar por todos os meios; sabe você se não estará piorando a situação do doente restituindo-lhe a saúde ? É necessário obedecer à vontade do Céu, colocando em funcionamento nossos recursos os mais completos para aliviar o próximo. E ainda, a observância da lei moral é o critério infalível, a medicação certa, o dinamismo enérgico, a sabedoria suprema. Eis porque é igualmente verdade, em terapêutica, que se procurarmos primeiro a justiça de Deus, isto é a mais bela verdade e a melhor bondade, o resto, mesmo as curas improváveis, será dado por acréscimo ao praticante que crê.

Sédir, extraído e traduzido de “La médecine occulte” , Paris, Beaudelot, 1910. (Tradução: Amities Spirituelles, Brasil).

Notas do Tradutor:

1. Enormon ou Ignis Subtilíssima , um dos termos pelo qual era conhecido o fluido cósmico na Grécia antiga, conforme os ensinamentos de Hipócrates Na Índia, era conhecido como Akasa; para Galeno, era o Pneuma; para Paracelso, Alkahert; para Descartes, Quintáes; para Newton, Spiritus Subtilíssimo , para Reinchenbach, Od, entre outras diferentes denominações..
2. Sinônimo de auto-hipnose: Origem: status (hypnoticus) + L. Volens, pres. P. Do volo, para desejar .
3. Para um aprofundamento deste tema, veja os ensinamentos de Mestre Philippe de Lyon sobre a responsabilidade celular.


A DOENÇA
Por Paul Sedir (1871 – 1926)


Há uma coisa notável no período que atravessamos: é que todo mundo ou quase todos reclamam ou estão insatisfeitos com alguma coisa. O mais notável ainda é que todos, em suma, parecem ter razão.

De todas as reclamações, há uma que é geral, mas também a mais difícil de se resolver: é a doença. Se ouvirmos os médicos, quando conversam entre si, escutaremos falar em surdina que todo mundo possui uma doença. Alguns chegam a dizer que todos possuem em si o germe de todas as doenças.

Quando a arte médica estava, não em sua infância, mas em sua juventude, as causas das doenças eram reconhecidas todas como de ordem fisiológica, acidental ou imediata. À medida que a ciência médica se aprofundava e a arte medicinal se aperfeiçoava, conhecemos uma causa mais profunda para as doenças, chamada atávica ou hereditária, ou ainda influência do meio. Mas estejamos certos, à medida que a ciência progredir, outras causas ainda mais profundas se apresentarão: as causas morais primeiramente, as causas espirituais em seguida. E o aprofundamento e generalização destas causas se desvelarão na proporção da sinceridade dos pesquisadores e do fervor de suas dedicações nestas pesquisas.

Se observarmos o problema segundo seu ponto de vista mais interior, desembocaremos naturalmente no espírito. E quando observamos a marcha do mundo, que malgrado as desigualdades aparentes, todas as agitações, todas as perturbações e todos os erros que parecem existir, descobrimos, entretanto, que há uma organização neste mundo, para falar como os moralistas; há uma justiça imanente, para falar como os filósofos. Há um tipo de administração oculta do mundo que não permite às criaturas certos desvios e não negligência nunca em lhes fazer pagar estes desvios quando se tornam paixões muito acentuadas. Segundo o ponto de vista de Deus, que é o nosso, na visão religiosa, duas teorias estão presentes no Ocidente: a das igrejas, em geral, onde a doença aparece como sendo uma prova moral e de confiança em Deus, e a adotada dos Orientais: a reencarnação.

Utilidade da doença

Para nossa abordagem, as duas teorias são indiferentes. Abordando o estudo dos problemas da existência, considerado em sua essência e em suas raízes espirituais, constatamos que há na doença, como em todos os fenômenos da natureza, uma utilidade. Nada existe sem uma causa ou finalidade. A utilidade da doença pode ser física, moral ou espiritual.

Sua utilidade física é de primeiramente nos ensinar a temperança e a higiene, e conduzir-nos ao estudo de nosso próprio corpo que é uma das maravilhas mais admiráveis do mundo. A utilidade moral da doença sobressairá quando tivermos enumerado quais energias morais são necessárias para vencer este adversário. Quanto à sua utilidade espiritual, nós a veremos despontar esperando os frutos da doença no centro de nosso Ser, no que há em nós de essencialmente imortal.

Como se comportar

Uma vez atingidos pela doença, vários problemas se colocam. Inicialmente como se comportar?

Sendo dado que a doença vem do nosso corpo, de uma parte, e de outra, nosso corpo é um servidor, o dever aparece claramente e estamos na obrigação moral de nos curar por todos os meios legítimos. Os condutores da humanidade oscilaram entre dois métodos diferentes. Alguns glorificam o corpo devido ser este o carro-chefe da criação, e eles o apresentam como um conjunto de forças na qual devemos todos nossos cuidados e toda nossa admiração. Outros, no pólo oposto, desejam que consideremos o corpo e a matéria como uma emanação direta do mal, e que devemos nos tornar mestre através de todos os meios possíveis, mesmo pelos mais violentos. Uns consideram o corpo como um mestre, outros como um escravo.

A verdade está no meio. Devemos considerar nosso corpo como um servidor, como um bom instrumento de trabalho, à maneira do operário que poli suas ferramentas cuja prática exige destreza e perícia, mas permanecendo o operário, o mestre e não o servidor. De fato, no ser humano, nada nos pertence propriamente além deste centro ínfimo onde permanece nosso livre arbítrio, nosso eu. Todo o resto deste são órgãos de ação, instrumentos de trabalho. Nosso corpo é um empréstimo que a Providência fez a nosso eu, onde nossa sensibilidade é uma outra, e nossa inteligência uma terceira. Todas nossas faculdades são somente, na realidade, instrumentos de trabalho, cujo Pai provém, cada um de nós, a fim de que eles empreguem o melhor e ainda possam colaborar no trabalho geral pelo gênero humano.

Por conseqüência devemos ter para com nosso corpo os mesmos cuidados que um bom patrão tem por seus operários.

Uma outra precaução deve ser observada, e de ordem moral: é a resignação. Cada vez mais há, hoje em dia, aquilo que chamamos de revolta, sustentando que tudo que nos aborrece, deve ser abatido e pisado. E que o homem unicamente conquista sua verdadeira natureza e desenvolve verdadeiramente sua personalidade sendo pródigo em tudo que se opõe à sua marcha, e quando satisfaz, não importando por quais meios, as suas necessidades e os seus desejos mais fervorosos. Esta escola pretende ser a única capaz de fazer homens dignos deste nome, homens de realização, homens de valor.

Assim, semelhante escola se engana, porque toma a aparência de energia pela energia em si mesma.

Observe, se deseja, um homem cujo coração ferve uma paixão qualquer, suponhamos a ambição. Este homem faz do trabalho o ponto de vista geral. Ele emprega energias admiráveis para realizar suas ambições, quer esta seja de dinheiro ou honras, de celebridade ou poder. E coisa um pouco paradoxal para ser dito, mais exata, os homens possuidores de paixões violentas são infelizmente os únicos que fazem alguma coisa. Os homens que chamamos, ordinariamente, pessoas de bem, geralmente são assim porque não possuem paixões violentas e então a moderação lhe são natural e, não fazendo o mal, eles acreditam fazer o bem.

Se pensamos ao nosso homem ambicioso que emprega sua energia, e concentra todas as suas faculdades para chegar a seus fins; e se este ambicioso saísse um momento de si - mesmo e se colocasse como um espectador diante de si, perceberia que, para renunciar à sua ambição, lhe seria necessário uma soma de energia maior que a empregada para lhe servir, seria preciso dar prova de uma energia bem superior à primeira em qualidade e quantidade.

Eis porque dizia o Cristo: “Possua sua alma pela paciência”. Porque o evangelho não é uma escola de frouxidão e moleza, mas ao contrário, é a escola mais severa e mais dura que existe, em energia e vontade. O Cristo convoca a qualidade da energia mais pura que possa existir em nós.

Assim, saber sofrer sem reclamar e saber esperar, às vezes, longo tempo, a cura, sem murmurar, sem impaciência, mesmo interior, denota qualidades de caráter totalmente sobre-humanas destes doentes que assim procedendo, conquistam a admiração e o respeito de todos ao seu redor.

Qualquer que seja o gênero de doença que nos atinja, é preciso reconhecer na pratica, e não teoricamente, que há uma justiça imanente, e que se nós não percebemos o movimento e o andar, ela não deixa de existir e que a atitude moral mais digna em um sofrimento é de, primeiramente, aceitá-lo.

Eis porque a verdadeira atitude, segundo meu ponto de vista, é o seguinte: aceitação interior da doença e luta exterior contra ela, contra o mal, contra todas as formas da dor por todos os meios físicos à nossa disposição, pois o físico é nosso servidor.

Quando chegarmos a adotar, de uma maneira permanente este comportamento, segue-se, para o ser que é muito forte neste exercício, um desenvolvimento espiritual cujas escolas de espiritualidade nem sempre possuem uma idéia exata. O homem físico se desenvolve seguindo as leia físicas, o intelectual seguindo as do pensamento, o homem social, cada um seguindo as leis do mundo no qual esta inserido. Mas o homem profundo, o homem imortal, ele prefere, somente poder se desenvolver seguindo as leis do mundo que nunca teve começo, e não terá fim e que o Cristo chamava o Reino de Deus.

Se chegar, portanto, pela aceitação, a realizar em si uma paz profunda, terão feito muito mais pelo seu desenvolvimento real do que teria sido feito pelos meios ensinados nas escolas de cultura moral ou psíquica conhecidas. O homem tendo uma alma imortal, a verdadeira lei de seu desenvolvimento é a lei do mundo imortal.

Todos os médicos encontram casos insolúveis. Um único recurso nos resta: apelar ao socorro do Grande Médico, isto é, orar. A doença nos leva assim à escola da oração que conduz finalmente ao Reino da Luz e da Paz.

Em seu sofrimento, o doente é conduzido a um auto-exame, retorna ao seu passado e seguidamente descobre atos culpáveis, causa inicial de sua doença e este exame conduz ao arrependimento, ao reconhecimento de seu erro, à humildade. E a humildade é a condição indispensável ao nosso progresso. Como nosso dever é de progredir, devemos mantê-la em nós, constante e mais e mais profunda.

Não é sem razão que há doenças incuráveis, porque há seres que somente podem pagar suas dívidas pelo sofrimento físico, e a qualidade do sofrimento é sempre proporcional à qualidade de quem a sofre. Lá, ainda reina uma justiça que constatamos, mas que não deve nos impedir de fazer nosso possível para diminuir o mal.

Contudo, não critique nunca o doente, pois este pode ser uma ocasião de trabalho para seu entorno, não julgue, porque este julgamento pode chamar sobre nós o defeito sofrido pelo nosso vizinho, e talvez na mesma situação nós tivéssemos um comportamento pior do que o dele. A vida nos envia, independente de nós, a uma escola prática e fértil em resultados e experiências. Mas não podemos sofrer provas ou pagar dívidas sozinhos e sem ajudas.

A doença nos faz retornar a Deus, a quem nunca pensamos, porque na vida, acreditamos dever nossos êxitos à nossas qualidades, quando estas são no fundo somente dons e, examinando a causa de nossos insucessos, constataremos que eles são, quase sempre, devido á ótima opinião que temos de nós mesmos.

COMO CURAR OS DOENTES ?

É preciso os considerar como prefigurações do Cristo que nos disse: “tudo que fizeres a um infeliz é a mim que tereis feito”. E isto é uma realidade viva e sempre atual. Quando, por compaixão, o Pai enviou Seu Filho para salvar aos homens, Ele desejou que Este aqui sofresse todas as formas de sofrimento sobre a terra e em todos os mundos. Jesus tomou sobre Ele quase todos os sofrimentos daqueles que Ele curou. Sua presença entre nós é sempre real, e não há um homem que sofra sem o Cristo estar junto dele e tomar sobre Ele – ao menos - um pouco deste sofrimento. Portanto, tudo que fizermos ao nosso próximo é a Jesus que estaremos fazendo.

E o trabalho para nós, é a compaixão. É abrir nosso coração, e é este nosso coração que nos fornece nosso valor verdadeiro. Eis, portanto, a direção de quem é preciso caminhar: acolher com a mesma afabilidade todos os seres e todas as coisas, porque tudo e todos são operários de Deus. Nosso labor é ainda mais urgente, é de abrir nosso coração a um trabalho prático de real fraternidade.

Tradução: Amities Spirituelles, Brasil