sábado, 12 de julho de 2008

O QUE É O MARTINISMO ?

Segundo Papus, fundador da Ordem Martinista original, esta "É uma sociedade mística(...) Como sociedade, o Martinismo é a união das forças invisíveis evocadas para a pesquisa da Verdade (...) A OM é um centro ativo de difusão iniciática. Ela foi constituída para propagar rapidamente e de uma maneira ampla os ensinamentos do oculto e as linhas da tradição ocidental cristã. A sociedade Martinista tem como primeira característica o respeito a liberdade humana,(...) e como Segunda característica aceitar em seu seio homens e mulheres. A terceira característica é de ser cristã (...).
A Ordem em seu conjunto é antes de tudo uma escola de cavalaria moral, que se esforça em desenvolver a espiritualidade de seus membros, pelo estudo do Mundo Invisível e de suas leis, pelo exercício de devotamento e da assistência intelectual e pela criação em cada espírito de uma fé cada vez mais sólida, baseada na observação e na ciência (...)” (A propos du Martinisme).
O Martinismo é uma Ordem Iniciática , que sem esquecer os objetivos acima, visa principalmente transmitir a Tradição Iniciática Ocidental aos verdadeiros Homens de Desejo.
A palavra Iniciação deriva-se da palavra latina “INITIUM” que significa começo, e que para os Martinistas possui duas interpretações: a) um novo estado b) um novo caminho.
Entendendo que estas duas interpretações nada mais são que “duas faces de uma mesma moeda” , o Martinismo apresenta aos seus membros um novo caminho que fatalmente o levará à um novo estado de Ser, caso este mantenha em si este Desejo Real apresentado quando de sua entrada na Ordem, e efetivado com seus trabalhos e práticas internas.
A Iniciação Martinista gera no Iniciado, quando este realmente se dedicada à Grande Obra, uma nova condição, graças a qual pode libertar-se dos preconceitos do mundo comum e fenomênico chegando a Iluminação interior , também chamado de despertar espiritual.
Nossos Ritos iniciáticos remontam à duas grandes personalidades do mundo Iniciático: Martines de Pasqually e Louis Claude de Saint-Martin:
Pasqually fundou no século XVIII a “Ordem dos Elu-Cohens”, e trabalhava na chamada “Via Externa” que com seus diversos cultos (expiação, limpeza da aura da terra, contra guerras, descida do Espírito Santo, etc...) visava a evocação teúrgica de Seres e forças espirituais com o objetivo de ajudar, orientar, limpar e preparar seus praticantes – e nosso planeta - em sua Regeneração, caminho para a Reconciliação, estágio final e introdutório para a Reintegração no seio do Absoluto. Destas liberações individuais sairá a libertação coletiva que permitirá a reconstituição do homem-arquetípico, esfacelado em pedaços na Queda bíblica, e sua reintegração no divino que o emanou.
Saint-Martin, discípulo de Pasqually, abandonou as práticas de seu primeiro Mestre e dedicou-se a trabalhar na chamada “Via Interna” ou “Via do Coração” onde a ênfase está na meditação, na ascese, na prece ativa e em técnicas precisas de retificação do interior do Ser no sentido de uma aproximação cada vez mais Real com o Absoluto.
Contudo devemos tomar muito cuidado para não reduzirmos esta Via "Martiniana" a simples práticas de orações diárias, acompanhadas de trabalhos caritativos para com nosso próximo, mescladas com discutíveis, catarses emocionais semelhante a determinadas religiões tradicionais.
Entendido estes pontos podemos resumir, de uma maneira geral, a diferença entres estes dois Grandes Mestres afirmando que enquanto Pasqually concedia a chave da Reintegração Universal, Saint-Martin concedia a chave ativa da Reintegração Individual.
Após a divisão da OM, com a morte de Papus, a Via Externa –teúrgica chamada de "Martinezista" foi quase totalmente abandonada, e hoje, com raríssimas exceções , a quase totalidade dos ramos Martinistas trabalham exclusivamente com a Via Interior de Saint-Martin.
Complementando as informações lembramos que os Martinistas são indivíduos livres, respeitosos e tolerantes com os pensamentos divergentes e indiferentes a tabus ou preconceitos de qualquer espécie. Os Martinistas se ligam por sua própria e livre vontade à humanidade, à natureza, e à Deus, tomando com seus trabalhos gradativa consciência do caráter sagrado desta ligação. Em suas reuniões, somente, os Martinistas são aceitos; as iniciações e seus respectivos graus se recebem segundo mérito próprio, onde a antigüidade não possui nenhum valor efetivo ou determinante.
Como conclusão lembramos que acima de todas definições e teorias o Martinismo é um estado de Ser, é um Caminho, e mais que explicado deve ser sentido e vivenciado, para através do SILÊNCIO chegarmos ao seu Coração realizando em nosso Ser seu objetivo principal: a Reintegração da coletividade no seio do Absoluto.