terça-feira, 4 de janeiro de 2011

APRESENTAÇÃO:


A condição do homem atual....
" É um espetáculo bastante aflitivo, quando se quer contemplar o homem, vê-lo atormentado pelo desejo de conhecer sem perceber as razões de coisa alguma e, ao mesmo tempo, tendo a audácia e a temeridade de querer dá-las para todas. Em lugar de considerar as trevas que o envolvem e começar sondando suas profundezas, ele segue em frente, não só como se estivesse certo de dissipá-las, mas como se não existisse obstáculos entre ele e a Ciência; , logo esforçando-se mesmo para criar uma Verdade, ele ousa colocá-la no lugar daquela que deveria respeitar em silêncio e sobre a qual não tem hoje outro direito a não ser o de deseja-la e de esperar por ela"
Saint-Martin, "Dos Erros e Da Verdade"

TERAPÊUTICA UNIVERSAL MARTINISTA

Ajuda metafísica aos doentes do Corpo, Alma ou Espírito:

Como toda Ordem Operativa a OMS estuda e prática a Medicina Espiritual, em consonância com as invariáveis Leis Universais e Eternas. Desta forma, todos aqueles que sofrem de doenças do Corpo, Alma ou Espírito podem enviar seus nomes para nosso endereço, onde receberão o auxílio metafísico/teurgico de nossa Egrégora e seus Mestres.

Regras para recebimento dos nomes:

1) O nome deve ser completo;
2) Os casos graves devem ser assinalados (isto é importante);
3) Os nomes podem ser reenviados pelo tempo necessário e desejado.
4) e-mail para contato: secretaria.oms@globo.com

A MEDICINA MARTINISTA:

CAUSAS DAS DOENÇAS DE ACORDO COM PARACELSO:
1. PRINCÍPIO ASTRAL (ENS ASTRALE) -Baseia-se em realidades cósmicas, as causas são do tipo astral, ou causadas no corpo astral pessoal ou pelo mundo astral. Influências climáticas e infecções podem ser também incorporadas

2. PRINCÍPIO VENENOSO (ENS VENENI) - Surge dos venenos e envenenamentos do corpo humano, portanto uma desarmonia de impurezas, má alimentação, má respiração, todas as coisas contrárias à constituição da pessoa.

3. PRINCÍPIO NATURAL (ENS NATURALE) - As causas são predeterminadas, fixas. São doenças herdadas genéticamentes, que já vem com o nascimento.

4. PRINCÍPIO ESPIRITUAL (ENS-SPIRITUALE) - Compreende todas as doenças causadas por uma imaginação doentia e uma vontade mal dirigida são as doenças psíquicas ou da idéia.

5. PRINCÍPIO DIVINO (ENS-DEI) – Doenças Karmicas.


A MEDICINA UNIVERSAL
Por Eliphas Levi

A maioria das nossas doenças físicas vem das nossas doenças morais, conforme o dogma mágico único e universal, e em razão da lei das analogias.
Uma grande paixão à qual a pessoa se abandona corresponde sempre a uma grande doença que prepara a si mesma. Os pecados mortais são assim chamados porque fazem física e positivamente morrer.

Alexandre, o Grande, morreu de orgulho. Ele era naturalmente temperante e entregou-se por orgulho aos excessos que lhe deram a morte.
Francisco I morreu de um adultério. Luís XV morreu por causa do seu viveiro de veados.

Quando Marat foi assassinado, morria de cólera e inveja. Era um monômano de orgulho, que se julgava único, justo, e desejava matar tudo o que não fosse Marat.
Vários contemporâneos nossos morreram de ambição fracassada depois da revolução de fevereiro.

Desde que a vossa vontade esteja irrevogavelmente confirmada numa tendência absurda, estais mortos, e o escolho em que ficareis em pedaços não está longe.

É, pois, verdade dizer que a sabedoria conserva e prolonga a vida.
O grande Mestre disse: “A minha carne é um alimento e o meu sangue uma bebida. Comei minha carne e bebei meu sangue; tereis vida”. E como o vulgo murmurava, acrescentou: “A carne aqui nada significa; as palavras que vos digo são espírito e vida”. Queria, pois, dizer: “Saciai-vos do meu espírito e vivei da minha vida”.
E, quando ia morrer, uniu a lembrança da sua vida ao signo do pão e a de seu espírito ao signo do vinho, e instituiu, assim, a comunhão da fé, da esperança e da caridade.

É no mesmo sentido que os mestres hermetistas disseram: Fazei potável o ouro e tereis a medicina universal; isto é, apropriai a verdade aos vossos costumes, que ela se torne a fonte em que vos saciareis todos os dias, e tereis em vós mesmos a imortalidade dos sábios. A temperança, a tranqüilidade da alma, a simplicidade de caráter, a calma e a razão da vontade não só fazem o homem feliz, mas também sábio e forte. É fazendo-se razoável e bom que o homem se torna imortal. Somos autores do nosso destino, e Deus não nos salva sem nossa colaboração.
A morte não existe para o sábio: a morte é um fantasma tornado horrível pela ignorância e a fraqueza do vulgo.

A mudança atesta o movimento, e o movimento só revela a vida. Até o cadáver não se decomporia se fosse morto: todas as moléculas que o compunham ficam vivas e se movem para se desprender.

E pensareis que o espírito foi o primeiro a desprender-se para não mais viver! Creríeis que o pensamento e o amor podem morrer, quando até a matéria mais grosseira não morre!

Se a mudança deve ser chamada morte, morremos e renascemos todos os dias, porque todos os dias as nossas formas mudam.
Temamos, pois, manchar e rasgar os vossos vestuários, mas não temamos deixá-los quando vem a hora do repouso.
(...)

É a ciência e confiança do médico que fazem a virtude dos remédios, e não existe outra medicina eficaz e real a não ser a taumaturgia.

Por isso, a terapêutica oculta é isenta de qualquer medicamentação vulgar. Emprega principalmente as palavras, as insuflaçãos, e comunica pela vontade uma virtude variada às substâncias mais simples: a água, o óleo, o vinho, a cânfora e o sal. A água dos homeopatas é verdadeiramente uma água magnetizada e encantada que opera pela fé. As substâncias que a ela se acrescentam em quantidades, por assim dizer, infinitesimais, são consagrações e como que sinais da vontade do médico.

(...)

Todo o poder do médico ocultista está na consciência da sua vontade, e toda sua arte consiste em produzir a fé no seu doente. Se podeis crer, dizia o Mestre, tudo é possível àquele que crê. É preciso dominar o seu paciente pela fisionomia, pelo tom, pelo gesto; inspirar-lhe a confiança por alguns modos paternais, fazê-los rir por algum bom e alegre discurso. Rabelais, que era mais mago do que parecia, tinha tomado por panacéia especial o pantagruelismo. Fazia seus doentes rirem-se, e todos os remédios que depois tomavam tinham mais sucesso; estabelecia, entre si e eles, uma simpatia magnética por meio da qual lhes comunicava a sua confiança e o seu bom humor; lisonjeava-os nos seus prefácios e lhes dedicava suas obras. Por isso, estamos convencidos que Gargantua e Pantagruel curaram mais humores negros, mais disposições à loucura, mais manias atrabiliárias, nesta época de ódios religiosos e guerras civis, do que a Faculdade de Medicina inteira teria podido constatar e estudar então.

A medicina oculta é essencialmente simpática. É preciso que uma afeição recíproca ou ao menos uma boa vontade real se estabeleça entre o médico e o doente.

O que principalmente curava entre os primeiros cristãos era a fé e a caridade. A maior parte das doenças têm a sua fonte em desordens morais: é preciso começar por curar a alma, e o corpo será, depois, facilmente curado.** Trechos retirados do Livro “Dogma e Ritual da Alta Magia”, Caps XX das duas partes do livro.


A MEDICINA OCULTA
Por Paul Sedir (1871 – 1926)

A medicina oculta

Em minha opinião o mais sábio dos homens, o mais enérgico, nada pode sem a ajuda de Deus, e nada faz sem Sua permissão. O sucesso de uma cura não depende nem do diploma, nem de uma superstição, mas do devotamento, da compaixão verdadeira, do fervor íntimo. Além de toda ciência, além de todo segredo, o recurso humilde e sincero à virtude suprema, à caridade infinita, é o elixir miraculoso. Mas isto não se comunica: é preciso que cada um encontre por si mesmo.

Extraído da introdução, outubro 1909

Medicina Divina
Chegamos ao último método de cura, o mais antigo, o mais alto, o mais seguro, mas também o mais oculto, o mais raro e o mais difícil: a teurgia. Aqui entramos em um país novo. Esqueça tudo que você acabou de ler. Veja as manifestações infinitas da existência sob seu aspecto hegemônico; sobre a terra, no corpo dos animais, nas pedras, nos céus, nas rodas das gerações, nos rios fluídicos, nas serpentes planetárias, nos orbes etéreos, nos reinos objetivos, nas Artes e Ciências, entre os deuses, os gênios, as crianças de Luz, as hordas das Trevas, - em toda parte, eis a vida. Em tudo, esta vida é una, real. Em toda parte, cada um de seus modos constitui um élan completo, existem por si mesmo, livres e responsáveis; recebendo alguma coisa de todas as outras formas, e resplandecendo também sobre todo o resto do mundo.

Desde então, nenhum sintoma patológico pode somente ser enfrentado em si mesmo. Deve ser percebido com todos os movimentos exteriores e anteriores que o determinam, com todas as ramificações ulteriores dos quais derivam. Um tal conhecimento não é outra coisa que o sentimento da verdade. Ela solicita ao médico, uma liberdade interior total, independente de todos os sistemas, de todas as opiniões, de todas as particularidades pessoais. Eis um dos aspectos da evangélica pobreza de espírito.

O Evangelho ignora as potencias intermediárias. Jesus traçou rotas diretas entre o homem e Deus. Visto que o rei de quem vamos conciliar os favores, cujo trono se encontra fora do tempo e do espaço, não mais precisa dos ritos, do lugar, das horas, dos objetos, de correspondências, em uma palavra. Este rei, estando fora do mundo, se encontra presente em toda parte e em todo tempo. A única observância necessária, é a obediência, ou a conformidade prática de nossa vida com a Sua. Portanto, as cerimônias religiosas e mágicas, os ritos, os lugares sagrados, os objetos bentos tornam-se inúteis nestes casos, inúteis também os medicamentos, os regimes, os gestos, e os esforços da vontade.

Lacunas médicas.

A terapêutica material somente atua sobre o sintoma orgânico. O medicamento alquímico, somente atua sobre a eletricidade celular. As terapias dinâmicas somente influenciam sobre o énormon fluídico (1). A vontade, o argumento, o magnetismo, o statuvolence (2) somente abrem a porta dos corpos invisíveis correspondentes. Influenciam os demais corpos, unicamente, pela propagação, sua atividade somente é durável até que uma força semelhante e contrária as parem. Portanto, nenhum método, material, oculto, religioso ou psicológico, cura essencialmente.

Resumindo.

Distinguimos, em suma:
Das alterações do corpo material, sobre qual atuam os medicamentos materiais e a cirurgia. Das alterações da força vital, sobre qual o medicamento pode agir por reflexões, mas que são sobretudo tratáveis pelos dinamismos naturais, humanos e extra-humanos.

Enfim, das ligações do espírito, pelos clichês fatídicos: neste caso, somente atua realmente a intervenção teurgica; a vontade de um adepto pode mesmo atrapalhar. Neste caso, a descida da Graça Divina é a única útil; é supérfluo acrescentar que Ela pode também fazer desaparecer as duas precedentes classes de sintomas.

O Pecado.

Ora, esta terceira causa das doenças é a única e verdadeira. Nada chega ao corpo, nem uma enxaqueca, nem um acidente, se um clichê invisível já não tiver descido sobre o ens espiritual do sujeito. E este clichê, este agente da compatibilidade biológica não vem a nós; somos nós mesmos, por nosso modus vivendi anterior que caminhamos ao seu encontro sobre a trajetória traçada por ordem divina.

Todo ato engendra uma forma no invisível; isto é constatado pelos videntes autênticos. Esta forma é percebível como uma aura no plano dos fluídos, como um ser no plano cardíaco do mundo. Ora, como todo ato somente pode ser bom ou mal, ele conduzirá sobre seu progenitor o bem ou o mal semeado na primeira parte de seu ciclo: em destino, inteligência e saúde. Este rico que recebeu um pobre a pauladas, pagará não somente em seu coração colérico, em sua inteligência irracional, mas também em seu braço agressor (3). Se, em uma próxima encarnação, este homem renascer com uma mão inerte, o alquimista, o magista, o magnetizador poderá, talvez, levantar o signo físico do mal, espiritual. Na realidade, nada mais fará que construir um muro entre esses dois organismos: seja provocando novamente desordens interiores, seja tirando o mal do braço onde está em seu justo lugar para colocá-lo em um outro lugar, onde será a causa de sofrimentos mais violentos.

Somente aquele que pode ver o clichê desta paralisia, é capaz de modificar a marcha ou a natureza, e tornar este doente invulnerável a seu ataque, arrebatando de seu espírito a causa primitiva do mal, o pecado, perdoando-lhe, lavando com um pouco d´água eterna falada por Jesus.

Eis, em resumo, o diagnóstico e a medicação do teurgo, aquele que opera com Deus.

Conclusão.

Mas tais homens são extremamente raros. Encontramos no máximo um por século. O que podem fazer então os médicos conscientes, filantropos, que desejam, malgrado toda a incerteza da ciência, curar os miseráveis que clamam por ajuda ? Eles ainda podem e muito! Qualquer que seja o sistema que usem, podem, unicamente, pois sentem sua franqueza, invocar ou evocar a força toda poderosa do espírito. Este invisível auxiliar é o veículo de todas as boas vontades, vos afirmo. Saibam que elas estão ao teu serviço; que teu élan de compaixão é o encanto infalível no qual obedecem: Ele pode dar a qualquer medicamento e palavra, uma virtude extraordinária. Esqueça-se um pouco somente, você, a fonte de tua fortuna e a inquietude de tua reputação. O mais sábio nada sabe, o mais poderosos nada pode sem Ele: chame-o; e todas às vezes a que apelares será justo, e será atendido.

O doente paga uma dívida; se evitares seu sofrimento corporal, ele pagará por sua riqueza, por seus acertos, por suas afeições, por sua celebridade. Portanto, há casos onde mesmo um enviado do Céu deixa as coisas seguirem seu curso, malgrado a licença que possuem de sacar do tesouro divino. Quando uma prova chega, seu destinatário recebe também ajuda para suportá-la. Não queira curar por todos os meios; sabe você se não estará piorando a situação do doente restituindo-lhe a saúde ? É necessário obedecer à vontade do Céu, colocando em funcionamento nossos recursos os mais completos para aliviar o próximo. E ainda, a observância da lei moral é o critério infalível, a medicação certa, o dinamismo enérgico, a sabedoria suprema. Eis porque é igualmente verdade, em terapêutica, que se procurarmos primeiro a justiça de Deus, isto é a mais bela verdade e a melhor bondade, o resto, mesmo as curas improváveis, será dado por acréscimo ao praticante que crê.

Sédir, extraído e traduzido de “La médecine occulte” , Paris, Beaudelot, 1910. (Tradução: Amities Spirituelles, Brasil).

Notas do Tradutor:

1. Enormon ou Ignis Subtilíssima , um dos termos pelo qual era conhecido o fluido cósmico na Grécia antiga, conforme os ensinamentos de Hipócrates Na Índia, era conhecido como Akasa; para Galeno, era o Pneuma; para Paracelso, Alkahert; para Descartes, Quintáes; para Newton, Spiritus Subtilíssimo , para Reinchenbach, Od, entre outras diferentes denominações..
2. Sinônimo de auto-hipnose: Origem: status (hypnoticus) + L. Volens, pres. P. Do volo, para desejar .
3. Para um aprofundamento deste tema, veja os ensinamentos de Mestre Philippe de Lyon sobre a responsabilidade celular.


A DOENÇA
Por Paul Sedir (1871 – 1926)


Há uma coisa notável no período que atravessamos: é que todo mundo ou quase todos reclamam ou estão insatisfeitos com alguma coisa. O mais notável ainda é que todos, em suma, parecem ter razão.

De todas as reclamações, há uma que é geral, mas também a mais difícil de se resolver: é a doença. Se ouvirmos os médicos, quando conversam entre si, escutaremos falar em surdina que todo mundo possui uma doença. Alguns chegam a dizer que todos possuem em si o germe de todas as doenças.

Quando a arte médica estava, não em sua infância, mas em sua juventude, as causas das doenças eram reconhecidas todas como de ordem fisiológica, acidental ou imediata. À medida que a ciência médica se aprofundava e a arte medicinal se aperfeiçoava, conhecemos uma causa mais profunda para as doenças, chamada atávica ou hereditária, ou ainda influência do meio. Mas estejamos certos, à medida que a ciência progredir, outras causas ainda mais profundas se apresentarão: as causas morais primeiramente, as causas espirituais em seguida. E o aprofundamento e generalização destas causas se desvelarão na proporção da sinceridade dos pesquisadores e do fervor de suas dedicações nestas pesquisas.

Se observarmos o problema segundo seu ponto de vista mais interior, desembocaremos naturalmente no espírito. E quando observamos a marcha do mundo, que malgrado as desigualdades aparentes, todas as agitações, todas as perturbações e todos os erros que parecem existir, descobrimos, entretanto, que há uma organização neste mundo, para falar como os moralistas; há uma justiça imanente, para falar como os filósofos. Há um tipo de administração oculta do mundo que não permite às criaturas certos desvios e não negligência nunca em lhes fazer pagar estes desvios quando se tornam paixões muito acentuadas. Segundo o ponto de vista de Deus, que é o nosso, na visão religiosa, duas teorias estão presentes no Ocidente: a das igrejas, em geral, onde a doença aparece como sendo uma prova moral e de confiança em Deus, e a adotada dos Orientais: a reencarnação.

Utilidade da doença

Para nossa abordagem, as duas teorias são indiferentes. Abordando o estudo dos problemas da existência, considerado em sua essência e em suas raízes espirituais, constatamos que há na doença, como em todos os fenômenos da natureza, uma utilidade. Nada existe sem uma causa ou finalidade. A utilidade da doença pode ser física, moral ou espiritual.

Sua utilidade física é de primeiramente nos ensinar a temperança e a higiene, e conduzir-nos ao estudo de nosso próprio corpo que é uma das maravilhas mais admiráveis do mundo. A utilidade moral da doença sobressairá quando tivermos enumerado quais energias morais são necessárias para vencer este adversário. Quanto à sua utilidade espiritual, nós a veremos despontar esperando os frutos da doença no centro de nosso Ser, no que há em nós de essencialmente imortal.

Como se comportar

Uma vez atingidos pela doença, vários problemas se colocam. Inicialmente como se comportar?

Sendo dado que a doença vem do nosso corpo, de uma parte, e de outra, nosso corpo é um servidor, o dever aparece claramente e estamos na obrigação moral de nos curar por todos os meios legítimos. Os condutores da humanidade oscilaram entre dois métodos diferentes. Alguns glorificam o corpo devido ser este o carro-chefe da criação, e eles o apresentam como um conjunto de forças na qual devemos todos nossos cuidados e toda nossa admiração. Outros, no pólo oposto, desejam que consideremos o corpo e a matéria como uma emanação direta do mal, e que devemos nos tornar mestre através de todos os meios possíveis, mesmo pelos mais violentos. Uns consideram o corpo como um mestre, outros como um escravo.

A verdade está no meio. Devemos considerar nosso corpo como um servidor, como um bom instrumento de trabalho, à maneira do operário que poli suas ferramentas cuja prática exige destreza e perícia, mas permanecendo o operário, o mestre e não o servidor. De fato, no ser humano, nada nos pertence propriamente além deste centro ínfimo onde permanece nosso livre arbítrio, nosso eu. Todo o resto deste são órgãos de ação, instrumentos de trabalho. Nosso corpo é um empréstimo que a Providência fez a nosso eu, onde nossa sensibilidade é uma outra, e nossa inteligência uma terceira. Todas nossas faculdades são somente, na realidade, instrumentos de trabalho, cujo Pai provém, cada um de nós, a fim de que eles empreguem o melhor e ainda possam colaborar no trabalho geral pelo gênero humano.

Por conseqüência devemos ter para com nosso corpo os mesmos cuidados que um bom patrão tem por seus operários.

Uma outra precaução deve ser observada, e de ordem moral: é a resignação. Cada vez mais há, hoje em dia, aquilo que chamamos de revolta, sustentando que tudo que nos aborrece, deve ser abatido e pisado. E que o homem unicamente conquista sua verdadeira natureza e desenvolve verdadeiramente sua personalidade sendo pródigo em tudo que se opõe à sua marcha, e quando satisfaz, não importando por quais meios, as suas necessidades e os seus desejos mais fervorosos. Esta escola pretende ser a única capaz de fazer homens dignos deste nome, homens de realização, homens de valor.

Assim, semelhante escola se engana, porque toma a aparência de energia pela energia em si mesma.

Observe, se deseja, um homem cujo coração ferve uma paixão qualquer, suponhamos a ambição. Este homem faz do trabalho o ponto de vista geral. Ele emprega energias admiráveis para realizar suas ambições, quer esta seja de dinheiro ou honras, de celebridade ou poder. E coisa um pouco paradoxal para ser dito, mais exata, os homens possuidores de paixões violentas são infelizmente os únicos que fazem alguma coisa. Os homens que chamamos, ordinariamente, pessoas de bem, geralmente são assim porque não possuem paixões violentas e então a moderação lhe são natural e, não fazendo o mal, eles acreditam fazer o bem.

Se pensamos ao nosso homem ambicioso que emprega sua energia, e concentra todas as suas faculdades para chegar a seus fins; e se este ambicioso saísse um momento de si - mesmo e se colocasse como um espectador diante de si, perceberia que, para renunciar à sua ambição, lhe seria necessário uma soma de energia maior que a empregada para lhe servir, seria preciso dar prova de uma energia bem superior à primeira em qualidade e quantidade.

Eis porque dizia o Cristo: “Possua sua alma pela paciência”. Porque o evangelho não é uma escola de frouxidão e moleza, mas ao contrário, é a escola mais severa e mais dura que existe, em energia e vontade. O Cristo convoca a qualidade da energia mais pura que possa existir em nós.

Assim, saber sofrer sem reclamar e saber esperar, às vezes, longo tempo, a cura, sem murmurar, sem impaciência, mesmo interior, denota qualidades de caráter totalmente sobre-humanas destes doentes que assim procedendo, conquistam a admiração e o respeito de todos ao seu redor.

Qualquer que seja o gênero de doença que nos atinja, é preciso reconhecer na pratica, e não teoricamente, que há uma justiça imanente, e que se nós não percebemos o movimento e o andar, ela não deixa de existir e que a atitude moral mais digna em um sofrimento é de, primeiramente, aceitá-lo.

Eis porque a verdadeira atitude, segundo meu ponto de vista, é o seguinte: aceitação interior da doença e luta exterior contra ela, contra o mal, contra todas as formas da dor por todos os meios físicos à nossa disposição, pois o físico é nosso servidor.

Quando chegarmos a adotar, de uma maneira permanente este comportamento, segue-se, para o ser que é muito forte neste exercício, um desenvolvimento espiritual cujas escolas de espiritualidade nem sempre possuem uma idéia exata. O homem físico se desenvolve seguindo as leia físicas, o intelectual seguindo as do pensamento, o homem social, cada um seguindo as leis do mundo no qual esta inserido. Mas o homem profundo, o homem imortal, ele prefere, somente poder se desenvolver seguindo as leis do mundo que nunca teve começo, e não terá fim e que o Cristo chamava o Reino de Deus.

Se chegar, portanto, pela aceitação, a realizar em si uma paz profunda, terão feito muito mais pelo seu desenvolvimento real do que teria sido feito pelos meios ensinados nas escolas de cultura moral ou psíquica conhecidas. O homem tendo uma alma imortal, a verdadeira lei de seu desenvolvimento é a lei do mundo imortal.

Todos os médicos encontram casos insolúveis. Um único recurso nos resta: apelar ao socorro do Grande Médico, isto é, orar. A doença nos leva assim à escola da oração que conduz finalmente ao Reino da Luz e da Paz.

Em seu sofrimento, o doente é conduzido a um auto-exame, retorna ao seu passado e seguidamente descobre atos culpáveis, causa inicial de sua doença e este exame conduz ao arrependimento, ao reconhecimento de seu erro, à humildade. E a humildade é a condição indispensável ao nosso progresso. Como nosso dever é de progredir, devemos mantê-la em nós, constante e mais e mais profunda.

Não é sem razão que há doenças incuráveis, porque há seres que somente podem pagar suas dívidas pelo sofrimento físico, e a qualidade do sofrimento é sempre proporcional à qualidade de quem a sofre. Lá, ainda reina uma justiça que constatamos, mas que não deve nos impedir de fazer nosso possível para diminuir o mal.

Contudo, não critique nunca o doente, pois este pode ser uma ocasião de trabalho para seu entorno, não julgue, porque este julgamento pode chamar sobre nós o defeito sofrido pelo nosso vizinho, e talvez na mesma situação nós tivéssemos um comportamento pior do que o dele. A vida nos envia, independente de nós, a uma escola prática e fértil em resultados e experiências. Mas não podemos sofrer provas ou pagar dívidas sozinhos e sem ajudas.

A doença nos faz retornar a Deus, a quem nunca pensamos, porque na vida, acreditamos dever nossos êxitos à nossas qualidades, quando estas são no fundo somente dons e, examinando a causa de nossos insucessos, constataremos que eles são, quase sempre, devido á ótima opinião que temos de nós mesmos.

COMO CURAR OS DOENTES ?

É preciso os considerar como prefigurações do Cristo que nos disse: “tudo que fizeres a um infeliz é a mim que tereis feito”. E isto é uma realidade viva e sempre atual. Quando, por compaixão, o Pai enviou Seu Filho para salvar aos homens, Ele desejou que Este aqui sofresse todas as formas de sofrimento sobre a terra e em todos os mundos. Jesus tomou sobre Ele quase todos os sofrimentos daqueles que Ele curou. Sua presença entre nós é sempre real, e não há um homem que sofra sem o Cristo estar junto dele e tomar sobre Ele – ao menos - um pouco deste sofrimento. Portanto, tudo que fizermos ao nosso próximo é a Jesus que estaremos fazendo.

E o trabalho para nós, é a compaixão. É abrir nosso coração, e é este nosso coração que nos fornece nosso valor verdadeiro. Eis, portanto, a direção de quem é preciso caminhar: acolher com a mesma afabilidade todos os seres e todas as coisas, porque tudo e todos são operários de Deus. Nosso labor é ainda mais urgente, é de abrir nosso coração a um trabalho prático de real fraternidade.

Tradução: Amities Spirituelles, Brasil

sábado, 12 de julho de 2008

TEXTOS R + C


Os Rosa-Cruzes Essenciais
Paul Sedir

Há seres sedentos de amor e de sacrifício que, após séculos e séculos de lutas e obras, alcançado o ápice da Ciência e do Poder, reintegrados misticamente no esplendor original de sua condição de homens, não podem suportar o espetáculo doloroso de seus irmãos ainda perdidos nos laços da paixão e ignorância. Isso os leva a serem reenviados à Criação e a participarem novamente de suas dores e de suas tentações. São missionados, os apóstolos, os místicos puros, os verdadeiros Rosa+Cruzes. Ruysbroek, o Admirável, os chama de crianças secretas do Senhor. Sua doutrina é indizível, pois eles professam que não se deve saber nada sem estar antecipadamente convencido da própria ignorância. Seu livro é o Evangelho. Sua prática é a imitação de Jesus-Cristo.

Essa teoria e essa prática parecem simples. No entanto, não há nada mais elevado a ser concebido e mais difícil de executar. As mais abstrusas especulações dos metafísicos hindus ou as autoridades mais espantosas de seus yogues desaparecem perante a terrível profundidade das máximas e dos ensinamentos evangélicos. Mas esses só podem ser compreendidos por quem já superou, com trabalho e sofrimento, a extremamente limitada natureza humana.

Falar dos Rosa+Cruzes é coisa por pouco quase impossível. Eles formam uma organização invisível. Não deram eles a si mesmos o qualificativo de “invisíveis”? Cavalheiros do Espírito, eles nada relevam a não ser o Espírito, eles não podem ser conhecidos a não ser pelo Espírito. O Espírito é livre de toda limitação, os eleva além de toda contingência. Ele lhes nutre, lhes inspira, lhes conforta. Eles lhes ressuscita após cada uma das mortes inumeráveis que constituem a existência na relatividade dos apóstolos de Deus e de Seu Cristo. Vivendo do Absoluto, eles vivem no Absoluto.

Eles próprios nos fazem compreender o mistério da união espiritual entre os irmãos através do espaço e do tempo, da união espiritual com seus pares e êmulos (1), discípulos do mesmo Mestre, devotados ao mesmo apostolado. Conforme o que o Cristo disse a seus discípulos: “Onde eu estiver, vós aí estareis”.

Mas do mesmo modo que o homem sabe apenas captar a divindade em sua manifestação, os homens não podem perceber os Rosa+Cruzes, mensageiros divinos, à não ser em suas manifestações.

“É sempre em um período crítico que se ouve falar neles. Eles chegam na época e no país onde uma forma social, tendo atingido sua completa realização, tende já a se alterar; quando os esforços lentos e contínuos do espírito humano, em vez de convergirem, como o tinham feito até então, na constituição e na afirmação de um organismo social, de um dogma religioso, de uma síntese científica, começam a divergir e abalam o edifício construído pelas gerações precedentes” (2)”.

Seu nome é o de sua função.

Eles podem, se quiserem, ser invisíveis aos homens e incógnitos; se eles o desejarem, podem viver no meio dos homens e como eles; são livres, mas de todo o modo, se apresentam aqueles a quem vieram socorrer. Adotam os costumes dos países onde se encontram. E, com efeito, podem viver no meio dos homens sem risco de serem identificados; apenas seus pares os reconhecem por uma certa luz interior. O Cristo disse: “O mundo não vos conhece”. É por isso que, quando eles mudam de país, mudam também de nome (3). Eles podem se adaptar a todas as condições, a todas as circunstâncias, falar a cada um em sua língua.

Eles agem a fim de que o que eles têm a dizer ao mundo seja dito. Aqueles que escrevem ou falam seu nome exprimem tão fielmente quanto podem os pensamentos, às inspirações que lhe são transmitidas pela via espiritual.

Do mesmo modo, esses arautos do Absoluto não inspiram seus apologistas quando eles só se preocupam em refutar seus detratores. Esses, como aqueles, se comportam de acordo com o que são capazes de ver luz que têm diante de si.

“Estrangeiros e viajantes na terra” (4), não desejam nada do mundo, nem beleza, nem glória, nada além de fazer a vontade de Deus, eles querem levar os fardos dos fracos, reanimar os mornos, restabelecendo por toda a parte a harmonia. Eles passam e o deserto torna-se um prado; eles falam e os corações se abrem ao apelo do Divino Pastor. Eles preparam o caminho para Aquele que deve vir.

Mas quem conhecerá as fadigas, quem enumerará os martírios sempre desconhecidos que aceitam, em seu imenso amor, esses pastores do Pai, para reconduzir as ovelhas indóceis que somos? O grande Cagliostro o disse nesses termos patéticos: "Eu venho do Norte, da bruma e do frio, abandonando por onde passo alguns pedaços de mim mesmo, me esgotando, me reduzindo a cada etapa, mas vos deixando um pouco de claridade, um pouco de calor, um pouco de força, até que eu seja, enfim, detido e parado definitivamente no fim de minha carreira, na hora em que a rosa florescerá sobre a cruz” (5).

Assim eles têm passado, imperceptíveis, no meio dos homens, para esclarecê-los e levá-los à Vida. Eles são vindos para recordar as criaturas às palavras pronunciadas nos séculos remotos, para despertar nelas o eco, que tinha se extinguido, das vozes que fizeram vibrar antigamente os seus corações. Eles são vindos para trabalhar em prol da renovação espiritual, da obtenção por esforços cotidianos dessa luz que ilumina todo homem vindo ao mundo e que nós repelimos, que nos obscurecemos pelos nossos desejos egoístas. Essa, têm eles dito, é a única via da regeneração individual, da redenção coletiva.

A iniciação cristã, com efeito, não tem por alvo, como as iniciações do extremo oriente, a orientação metafísica de atingir um grau superior de Saber: seu alvo é a Vida. Ora, a Vida é Amor e o pensamento é a imagem invertida da Vida. O amor é o único intérprete verídico da verdade: o amor é a sabedoria suprema, conforme com o que está escrito: “Aquele que ama Deus é aquele que conhece Deus” (1 João, IV,7).

A organização interior da fraternidade não foi revelada, nem seus segredos. Esses se referiam, exteriormente, à transmutação dos metais, à arte de prolongar a vida, à descoberta de coisas ainda ocultas. Mas os Rosa+Cruzes se davam por magos a fim de mascarar seu verdadeiro pensamento, seu objetivo primordial: a reforma do mundo, da qual eles eram os agentes predestinados. E isso que, por baixo de tudo, espanta o leitor dos escritos rosacruzes. Mais que os procedimentos que eles apresentavam para obter a pedra filosofal ou o elixir do prolongamento da vida, mais que o método que eles preconizavam para atingir a certa fórmula do saber, os Rosa+Cruzes levaram os europeus do século XVII arruinados pela guerra, divididos entre o catolicismo e o protestantismo, desagregados em sua mentalidade pelo espírito de crítica, palavras de concórdia e de apaziguamento. No meio do egoísmo universal, eles recordaram aos homens que eles são irmãos, filhos do mesmo Pai; no meio da anarquia crescente, eles falaram do Libertador, eles repetiram que o Cristo desceu e que Ele retornará para reunir em um só coro Seus serviços dispersos.

Eis a mensagem trazida ao mundo pelos Rosa+Cruzes:

ELIAS ARTISTA

A Rosa+Cruz essencial existe desde que há homens sobre a terra.
Além do Sol amarelo que nos ilumina, há seis outros sóis ainda invisíveis que fazem viver a terra. Nosso Sol amarelo tem o propósito de produzir a assimilação das funções vitais. Um outro Sol, o Sol vermelho, tem por ofício a construção dos corpos terrestres: ele rege a morfologia, as afinidades físicas, químicas, intelectuais, sociais. Esses Sol vermelho é a residência do ser em Paracelso, o primeiro aqui em baixo, denominou Elias Artista.

Elias Artista é o anjo da Rosa+Cruz. Ninguém pode saber quem le é, nem aquilo sobre o que ele repousa. Tudo o que se pode dizer é que ele é uma força atrativa, harmonizante e que ele tende a reunir os indivíduos em um só corpo homogêneo.

Eis como se expressa Stanislas de Guaita:

“Elias Artista é infalível, imortal, além disso, inacessível, às imperfeições, como às impurezas e aos ridículos dos homens de carne que se oferecem a manifestá-lo. Espírito de luz e de progresso, ele se encarna nos seres de boa vontade que o evocam. Se eles tropeçam no caminho, eis que o artista Elias não esta mais neles.

“Fazer mentir o verbo superior é coisa impossível, ainda que se possa mentir em seu nome. Pois cedo ou tarde ele encontra um órgão digno de si (nem que seja por um minuto), uma boca fiel e leal (nem que seja pelo tempo de pronunciar uma palavra).

“Por esse órgão de sua escolha ou por essa boca de coincidência _ que importa? _ sua voz se faz ouvir, potente e vibrante dessa autoridade serena e decisiva que empresta ao verbo humano a inspiração do Alto. Assim, são desmentidos na terra aqueles que sua justiça condenou no abstrato.

“Guardemo-nos de falsear o espírito tradicional da Ordem; reprovados no alto na mesma hora, cedo ou tarde seríamos negados aqui em baixo pelo misterioso demiurgo que a ordem saúda pelo nome: Elias Artista.

“Ele não é a Luz; mas, como João Batista, sua missão é a de dar o testemunho da Luz da glória, que deve se irradiar de um novo céu sobre uma terra rejuvenescida. Que ele se manifesta pelos Conselhos fortes e que ele derruba à pirâmide das santas tradições desfiguradas pelas heterogêneas camadas de detritos e de remendos que vinte séculos tem acumulado sobre ela! E que enfim, os caminhos estando por ele abertos para o advento do Cristo glorioso, - sua obra estando concluída - desaparecerá na névoa maior o precursor dos tempos vindouros, a expressão humana do santo Paracelso, o “deimon” da ciência e da liberdade, da sabedoria e da justiça integrais: Elias Artista” (6) .

Por outro lado, se nós quisermos encarar o sacerdócio de Melquisedeque, cujo sacrifício é a prefiguração da Eucaristia, teremos que nos recordar que os sacerdotes “da ordem de Melquisedeque” constituem não uma ordem social, mas um sacerdócio cujo sacramento, representado pelo pão e pelo vinho, é o sacrifício de si mesmo ao próximo, por amor a Jesus-Cristo e pela unidade com Ele.

Em nossa opinião, Elias Artista é uma adaptação do Elias bíblico, que deve retornar no fim dos tempos, com Enoque, para desempenhar seu papel de testemunha do binário universal. Seria prematuro dizer quem foi Elias artista ou quem ele será. Tudo o que é útil saber é que esse nome designa uma forma do Espírito da inteligência.

É isso que entendiam os Rosa+Cruzes quando eles diziam que no dia C eles se reúnem em um local que se chama o Templo do Espírito Santo. Mas onde é esse lugar? (7) Eles próprios não o sabem, porque, dizem eles, é invisível.

Nós nos permitimos indicar a nossos leitores, se eles quiserem aprofundar o estudo desse tema misterioso, de meditar na história de Enoque, pai simbólico da Rosa+Cruz, inventor da tradição e da ciência e construtor de monumentos dos quais a lenda lhe atribui a paternidade.

(Tradução do Capítulo II, págs.21-26 de “Les Rose-Croix”, de Sédir, Bibliotheque des “Amitiés Spirituelles”, Paris).

Notas do autor:
1)O itinerário das viagens de Christian Rosenkreutz indica bem as filiações da fraternidade rosacruciana com outras tradições, principalmente com certos centros instalados no Egito e com certas Fraternidades muçulmanas que o pai encontrou em Fez.
2)“L’Évangille de Cagliostro”, traduzido do latim para o Francês e publicado pelo Dr. Marc Haven (Lalande), Paris, 1909 - Introdução. 2.1)Edição espanhola: “El Evangelio de Cagliostro”, Editorial Humanitas, Barcelona, 1987.
3)O nome é o símbolo da individualidade.
4)Hebreus, cap. XI, vers.13.
5)“Mémoire pour le Comte de Cagliostro accusé, contre le Procureur Général”, Paris, 1786.
6)Stanislas de Guaita: “essais de Science Maldite - Trilogie - Paris, 1897, 1915, 1949.
7)Christoph-Stephan Kazauer, resp. J. Ludwig Wolf: “disputatio Historica de Rosacrucianis”, Wittenberg, 1715.

O QUE É O MARTINISMO ?

Segundo Papus, fundador da Ordem Martinista original, esta "É uma sociedade mística(...) Como sociedade, o Martinismo é a união das forças invisíveis evocadas para a pesquisa da Verdade (...) A OM é um centro ativo de difusão iniciática. Ela foi constituída para propagar rapidamente e de uma maneira ampla os ensinamentos do oculto e as linhas da tradição ocidental cristã. A sociedade Martinista tem como primeira característica o respeito a liberdade humana,(...) e como Segunda característica aceitar em seu seio homens e mulheres. A terceira característica é de ser cristã (...).
A Ordem em seu conjunto é antes de tudo uma escola de cavalaria moral, que se esforça em desenvolver a espiritualidade de seus membros, pelo estudo do Mundo Invisível e de suas leis, pelo exercício de devotamento e da assistência intelectual e pela criação em cada espírito de uma fé cada vez mais sólida, baseada na observação e na ciência (...)” (A propos du Martinisme).
O Martinismo é uma Ordem Iniciática , que sem esquecer os objetivos acima, visa principalmente transmitir a Tradição Iniciática Ocidental aos verdadeiros Homens de Desejo.
A palavra Iniciação deriva-se da palavra latina “INITIUM” que significa começo, e que para os Martinistas possui duas interpretações: a) um novo estado b) um novo caminho.
Entendendo que estas duas interpretações nada mais são que “duas faces de uma mesma moeda” , o Martinismo apresenta aos seus membros um novo caminho que fatalmente o levará à um novo estado de Ser, caso este mantenha em si este Desejo Real apresentado quando de sua entrada na Ordem, e efetivado com seus trabalhos e práticas internas.
A Iniciação Martinista gera no Iniciado, quando este realmente se dedicada à Grande Obra, uma nova condição, graças a qual pode libertar-se dos preconceitos do mundo comum e fenomênico chegando a Iluminação interior , também chamado de despertar espiritual.
Nossos Ritos iniciáticos remontam à duas grandes personalidades do mundo Iniciático: Martines de Pasqually e Louis Claude de Saint-Martin:
Pasqually fundou no século XVIII a “Ordem dos Elu-Cohens”, e trabalhava na chamada “Via Externa” que com seus diversos cultos (expiação, limpeza da aura da terra, contra guerras, descida do Espírito Santo, etc...) visava a evocação teúrgica de Seres e forças espirituais com o objetivo de ajudar, orientar, limpar e preparar seus praticantes – e nosso planeta - em sua Regeneração, caminho para a Reconciliação, estágio final e introdutório para a Reintegração no seio do Absoluto. Destas liberações individuais sairá a libertação coletiva que permitirá a reconstituição do homem-arquetípico, esfacelado em pedaços na Queda bíblica, e sua reintegração no divino que o emanou.
Saint-Martin, discípulo de Pasqually, abandonou as práticas de seu primeiro Mestre e dedicou-se a trabalhar na chamada “Via Interna” ou “Via do Coração” onde a ênfase está na meditação, na ascese, na prece ativa e em técnicas precisas de retificação do interior do Ser no sentido de uma aproximação cada vez mais Real com o Absoluto.
Contudo devemos tomar muito cuidado para não reduzirmos esta Via "Martiniana" a simples práticas de orações diárias, acompanhadas de trabalhos caritativos para com nosso próximo, mescladas com discutíveis, catarses emocionais semelhante a determinadas religiões tradicionais.
Entendido estes pontos podemos resumir, de uma maneira geral, a diferença entres estes dois Grandes Mestres afirmando que enquanto Pasqually concedia a chave da Reintegração Universal, Saint-Martin concedia a chave ativa da Reintegração Individual.
Após a divisão da OM, com a morte de Papus, a Via Externa –teúrgica chamada de "Martinezista" foi quase totalmente abandonada, e hoje, com raríssimas exceções , a quase totalidade dos ramos Martinistas trabalham exclusivamente com a Via Interior de Saint-Martin.
Complementando as informações lembramos que os Martinistas são indivíduos livres, respeitosos e tolerantes com os pensamentos divergentes e indiferentes a tabus ou preconceitos de qualquer espécie. Os Martinistas se ligam por sua própria e livre vontade à humanidade, à natureza, e à Deus, tomando com seus trabalhos gradativa consciência do caráter sagrado desta ligação. Em suas reuniões, somente, os Martinistas são aceitos; as iniciações e seus respectivos graus se recebem segundo mérito próprio, onde a antigüidade não possui nenhum valor efetivo ou determinante.
Como conclusão lembramos que acima de todas definições e teorias o Martinismo é um estado de Ser, é um Caminho, e mais que explicado deve ser sentido e vivenciado, para através do SILÊNCIO chegarmos ao seu Coração realizando em nosso Ser seu objetivo principal: a Reintegração da coletividade no seio do Absoluto.

O PROPÓSITO INICIÁTICO DA ORDRE MARTINISTE ET SYNARCHIQUE


A “Ordre Martiniste et Synarchique”, Grande Loja Nacional Brasileira, está estabelecida já há alguns anos em nosso país e conta com uma estrutura formada por Círculos, Heptadas e Lojas em alguns Estados da federação.

A OM&S está inserida dentro de uma estrutura Iniciática tradicional e é herdeira dos rituais e práticas legadas por Papus, Guaita, e outros grandes Ocultistas da corrente Martinista.

Trabalhando dentro de um contexto eminentemente teúrgico e operativo a OM&S se dirige aos verdadeiros “Homens de Desejo” que buscam a todo custo sua Reintegração no seio do Absoluto. Para realizar esta finalidade nossa Ordem dispõe de rituais e práticas precisas que visam depurar o manto (corpo sutil) do iniciado e levá-lo a diversas conscientizações internas, cujo cumprimento será a realização da Grande Obra e a criação de seu Corpo de Glória.

Entendendo que o “despertar é tudo”, nossa Ordem procura sempre privilegiar as práticas operativas, cuja constância e dedicação conduzirá o Iniciado a reencontrar seu centro preparando-o para os trabalhos de Conciliação com a Divindade. Desta forma a OM&S se distancia das abordagens unicamente filosóficas ou intelectuais, do sentimentalismo espiritualista e superficial , verdadeiros “cantos de sereia” que afastam o candidato da autêntica busca Iniciática, inserindo-os em um pseudo-misticismo emocional e estéril.
Embora de caráter eminentemente teúrgico a OM&S entende que nenhum trabalho operativo será possível enquanto o Iniciado não purificar e aperfeiçoar seu interior, levando a termo sua Regeneração que deverá resultar em nítidas mudanças exteriores e visíveis:

“(...) Quando um homem estiver Regenerado em seus pensamentos, imediatamente será em sua fala, que é a carne e o sangue do pensamento; mas quando ele estiver Regenerado em sua fala, imediatamente será em sua operação que é a carne e o sangue da fala” ( Saint-Martin)

Desta maneira a preparação no seio da OM&S ocorrerá nas duas Vias ( interna e externa) para possibilitar ao Iniciado encontrar seu ponto de equilíbrio, seu centro, e o alinhamento ou bodas mística entre a personalidade conhecida (consciência) e a individualidade profunda (supra-consciência) abrindo-se assim as portas para o caminho da conquista da Cidadela do Ser.

Como toda Ordem iniciática autêntica e operativa a OM&S faz uma rigorosa seleção de seus candidatos, aceitando somente aqueles que realmente estejam preparados e com firme vontade de se entregarem e integrarem à Verdadeira busca espiritual, sem esmorecimento ou falsas fantasias.

A OM&S, mantendo a Tradição original do Martinismo, não concede Iniciação à distância e nem oferece cursos ou monografias pelo correio. À exceção do curso de seleção abaixo descrito, todo seu trabalho operativo e suas Iniciações ocorrem em seus Templos onde são transmitidos seus ensinamentos tradicionais.

Diferentemente das iniciações meramente simbólicas ou filosóficas, que objetivam e se limitam a transmitir uma série de símbolos e doutrinas de caráter teórico e intelectual, a Iniciação Martinista da OM&S trabalha com forças inerentes a seu ser físico e psíquico, assim como as energias cósmicas. Ao ser iniciado e ao participar do trabalho litúrgico da Ordem, o membro ajuda a movimentar sua Cadeia Invisível, operando conseqüentemente com poderosas forças espirituais de caráter evolutivo e energéticos, possibilitando aos “puros de coração” uma efetiva mudança em seu interior.

DA AFILIAÇÃO À OM&S :

Após profundas meditações e consulta ao seu EU interior, caso o candidato se identifique com estas propostas e esteja – realmente – disposto a se dedicar a esta Obra, pode solicitar sua inscrição através do e-mail: secretaria.oms@globo.com